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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

3º Prêmio Abdias Nascimento bate recorde de inscrições em 2013

Os vencedores serão conhecidos na grande festa de premiação, em novembro, no Rio de Janeiro
Mais de 300 jornalistas se inscreveram para o 3º Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento, que encerrou inscrições em agosto. Disputam R$ 35 mil em prêmios jornalistas dos principais veículos de comunicação do país, como O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O Globo, Jornal A Tarde, Diário de Pernambuco, Revista Istoé, Carta Capital, SBT e TV Record, além de portais como G1, Terra e Agência Brasil (EBC).
O Prêmio teve adesão de profissionais de todas as regiões do país, sendo que a maioria das inscrições é do Sudeste (50%) e do Nordeste (19%). A novidade este ano é o aumento da participação de jornalistas de veículos de imprensa do Norte (9%) e do Centro-oeste (17%). O Sul corresponde a 5% dos/as inscritos/as.
“Os indicadores refletem o envolvimento das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) dos respectivos sindicatos. Elas estimularam a cobertura étnico-racial e da diversidade brasileira por meio da divulgação do concurso”, avalia Sandra Martins, coordenadora desta edição. Ela lembra que, com apoio das Cojiras, o Prêmio chegou, pela primeira vez, em Manaus (AM), Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS).
Os/as inscritos/as disputam as categorias Mídia Impressa, Internet, Televisão, Rádio, Fotografia e Mídia Alternativa/Comunitária, além da Categoria Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros.  Os três finalistas, de cada categoria, serão anunciados em outubro e os vencedores serão conhecidos em grande noite de premiação no Teatro Oi Casa Grande, em novembro, no Rio de Janeiro.
Prêmio Abdias Nascimento é uma realização da Cojira-Rio, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) e conta com apoio das Cojiras que atuam no Distrito Federal, São Paulo, Alagoas, Paraíba, Bahia, Mato Grosso e do Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros (RS).
Informações: (21) 3906-2450
Fale conosco: mailto: premioabdiasnascimento@gmail.com
Realização: Cojira-Rio /SJPMRJ
Patrocínio: Ford Foundation, Fundo Baobá e Oi
Parceria: Fenaj, Ipeafro, UNIC-Rio, Cultne e Sated
Apoio: W. K. Kellogg Foundation, Fundação Palmares e ANPR

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Tomara que a moda pegue: A paz vigiada no Lins

Por Luiz Baltar, Naldinho Lourenço, Ratão Diniz e Vitor Madeira.
Fotos: Luiz Baltar, Naldinho Lourenço, Ratão Diniz e Vitor Madeira.

Policias e guardas municipais controlam tranquilamente o trânsito nas entradas do Complexo do Lins de Vasconcelos, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Moradores do bairro exaltam o sumiço dos “cracudos” da região e aguardam nos portões e janelas dos seus prédios a chegada do BOPE e dos blindados da Marinha. Esse é o cenário que encontramos na madrugada do dia 6 de outubro, horas antes da implantação das  35º e 36º UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) pelo Governo do Estado. Mas subindo as íngremes escadas até o alto da comunidade Árvore Seca, percebemos que o clima ali é outro. Para os 40 mil moradores das 13 favelas, a operação de guerra montada e a ocupação militar, vão alterar profundamente o cotidiano das famílias, o direito de ir e vir e até mesmo o lazer.
Resolvemos fazer essa documentação atendendo ao chamado da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, que juntamente com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, as Comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública da Ordem de Advogados do Brasil (seção RJ), advogados do Grupo Habeas Corpus, Favela Não Se cala e ativistas de diversas mídias alternativas, organizaram um mutirão de acompanhamento da nova UPP no Complexo do Lins. O objetivo era coibir possíveis violações de direitos, abusos e violências que já vinham ocorrendo nessas comunidades desde o início do ano, em seguidas operações policiais, e que se intensificaram no último mês.
Pelo que presenciamos nos morros da Árvore Seca, Cachoeira Grande e Do Amor, as nossas câmeras não só intimidaram os polícias, nas ações de revista das casas, como também tranquilizaram os moradores que nos diziam, quase agradecendo, que longe da nossa presença a abordagem seria outra.

Abertas inscrições ao Prêmio Direitos Humanos 2013

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) abriu nesta quinta-feira (13) as inscrições para sugestões ao Prêmio Direitos Humanos 2013 - 19ª Edição. O Prêmio consiste na mais alta condecoração do governo brasileiro a pessoas físicas ou jurídicas que desenvolvam ações de destaque na área dos Direitos Humanos.
O formulário de indicações/inscrição poderá ser preenchido por pessoas físicas ou jurídicas, no portal da SDH/PR, até o dia 27 de outubro de 2013 e enviado para o endereço eletrônico: premio@sdh.gov.br. Os vencedores serão conhecidos em dezembro, mês em que é comemorada a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Para a seleção e a eleição dos agraciados são considerados critérios como o histórico de atuação na área dos direitos humanos, o desenvolvimento de ações relevantes e a implementação de práticas inovadoras em relação ao tema.
Este ano foram incorporadas três novas categorias de premiação: Segurança e Direitos Humanos; Cultura e Direitos Humanos; e Categoria Livre. Também foram reeditadas outras quatro modalidades de edições anteriores: Igualdade Racial; Igualdade de Gênero, Garantia dos Direitos dos Povos Indígenas; Cultura e Direitos Humanos. Outra novidade nesta edição é que serão aceitas auto-sugestões ao prêmio.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Reverendo Jesse Jackson pede que os EUA suspendam embargo à Cuba

Jesse Jackson durante conferência 
climática em 18/09/2013
AFP/Arquivos-Joaquin Sarmiento
O reverendo norte-americano Jesse Jackson exigiu que Washington suspenda o embargo econômico que impõe à Cuba há meio século, ao participar de uma cerimônia religiosa em Havana, informou neste domingo a imprensa cubana.
"Devemos eliminar o bloqueio, a igreja deve lutar contra o bloqueio", declarou Jackson em uma cerimônia realizada no sábado à noite no templo batista Ebenezer do município de Marianao, no oeste de Havana, disse a agência cubana Prensa Latina.
Jackson pediu "para construir pontes entre os povos de ambos países", segundo a agência.
"As sanções de Washington contra a ilha caribenha restringem Internet, chamadas telefônicas e transporte, entre outros para Cuba e também para os cidadãos norte-americanos", acrescentou o religioso, de acordo com a agência cubana.
O religioso batista, defensor dos direitos civis, que faz sua terceira visita à ilha, também disse que os Estados Unidos e Cuba devem "reconectar as famílias de novo", segundo a televisão cubana.
O reverendo Raúl Suárez, diretor do Centro Memorial Martin Luther King de Havana, destacou que, desde sua primeira visita à ilha em 1984, Jackson levou a uma nova etapa nas relações entre as igrejas e o Estado comunista cubano, o que classificou como una "benção para nosso país".
Jackson anunciou no sábado, em Havana, que mediaria a libertação de um ex-militar norte-americano que está em poder da guerrilha colombiana das FARC desde julho.
"Aceitamos este dever e esta oportunidade para prestar um serviço ao senhor Kevin Scott, a sua família e a nossa nação também", disse Jackson durante sua visita à ilha durante três dias, após contar que se reuniu com os delegados das FARC que negociam em Havana um acordo de paz com o governo colombiano.
Fonte: Havana (AFP)

Em 76% das UPPs no Rio há denúncia contra algum policial

MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO

Todos os dias, ao acordar, o primeiro pensamento da dona de casa Edleide Lessa, 52, é: "Por que um policial matou meu filho?".

O ajudante de pedreiro Jackson Lessa dos Santos, 19, foi baleado na cabeça, em junho do ano passado, quando ia comprar biscoito, no morro do Fogueteiro, centro do Rio. Segundo os policiais, houve um confronto. A mãe nega e argumenta que o filho caminhava pelas vielas acompanhado de uma criança.

"Meu filho foi enterrado como bandido. Por quê? Bandido que trabalha todos os dias? Moramos no morro, mas não somos criminosos."
O tiro de fuzil foi disparado por um soldado com um ano de polícia. Ele integrava a UPP instalada em 2011.
Editoria de Arte/Folhapress
O principal programa da Secretaria de Segurança Pública do Rio já foi implantado em 33 favelas da capital.

Não há dúvidas de que as UPPs trouxeram progressos. Moradores readquiriram o direito de ir e vir pelas ruas de suas comunidades; o tráfico ostensivo desapareceu, assim como a exibição de armamentos pesados -eles ainda existem, mas de forma discreta.

Mas passados cinco anos do início do projeto, crescem denúncias de que policiais militares lotados nas UPPs se voltaram às práticas da chamada "velha polícia": são suspeitos de agressões, mortes e desaparecimentos.
Levantamento feito pela Folha a partir de relatos de moradores e documentos das polícias Civil e Militar mostra que há denúncias contra a atuação dos agentes em 25 das 33 UPPs (76% delas).

"Há necessidade de rever algumas práticas talvez ainda contaminadas por uma cultura antiga", afirmou o coronel Frederico Caldas, coordenador das UPPs.

A análise de dados de 18 das UPPs mostra que o número de homicídios caiu 68%, mas o de desaparecidos subiu 56% -nas demais, inauguradas há menos tempo, ainda não há dados suficientes para comparação.

São casos como o do pedreiro Amarildo de Souza, 43, desaparecido desde 14 de julho da favela da Rocinha.
"Antes os desaparecimentos não eram relatados porque havia o tráfico de drogas nessas comunidades. E não dá para associar o desaparecimento à morte e nem à polícia", afirma Caldas.

Um ano antes da inauguração da UPP, a Cidade de Deus registrou 18 desaparecidos; um ano depois, em 2010, o total subiu para 49. Em 2011 sumiram 22 pessoas.

Especialistas dizem que o problema não são as UPPs, mas a atuação de alguns PMs.
"Os policiais parecem estar substituindo os autos de resistência [mortes que ocorrem durante confronto com a polícia] pelo desaparecimento de pessoas", afirma Margarida Pressburger, representante brasileira na Comissão Contra a Tortura da ONU.

"O que não pode é o comandante da UPP regular os conflitos no morro como se fosse dono do lugar", diz Jaílson de Souza, do Observatório de Favelas. "Não queremos voltar ao período pré-UPP. Mas é preciso cuidar do treinamento desses policiais", diz Felipe Santa Cruz, presidente da OAB-RJ.

Fonte: Folha de São Paulo

Crianças do RN perdem as digitais na quebra da castanha de caju...

Meninos e meninas têm as mãos queimadas por ácido e perdem as digitais dos dedos no processo de quebra da castanha de caju. Mesmo após denúncias, o problema persiste no Rio Grande do Norte.

Passado um primeiro momento de grande arrancada na prevenção e eliminação do trabalho infantil no Brasil, do início dos anos 1990 a meados dos anos 2000, o país enfrenta um novo desafio para manter o ritmo de queda. Enquanto a primeira fase foi marcada pela retirada de crianças e adolescentes das cadeias formais de trabalho, o novo desafio são as piores formas de exploração, como o processamento da castanha, que o poder público tem mais dificuldade de erradicar. O trabalho informal e precário atinge especialmente os adolescentes e jovens e está relacionado à evasão escolar e à falta de alternativas oferecidas pelo mercado. A erradicação requer um plano com ações, metas e indicadores. E uma ação política coordenada.

Muitos leitores ficam irritados quando conectamos trabalho infantil ou escravo ao nosso consumo, o que significa nos inserir como parte beneficiária da cadeia de escoamento. Pois não deveriam. Não é culpa que se busca com a transparência da origem dos produtos que consumimos, mas essa informação é fundamental para pressionar governos e empresas a adotarem políticas a fim de garantir que isso não aconteça. Afinal de contas, a ignorância é um lugar quentinho. 

Com a pele cada vez mais lisa, as pontas dos dedos
perdem as digitais, e as linhas e traços de identidade
se esfacelam (Fotos Daniel Santini/Repórter Brasil)
A reportagem é de Daniel Santini, da Repórter Brasil, que foi a João Camara, no Rio Grande do Norte, verificar as condições das crianças que perdem as digitais no processamento da castanha:

Olhe a ponta do seu dedo. Repare no conjunto minúsculo de linhas que formam sua identidade. Essa combinação é única, um padrão só seu, que não se repete. As crianças que trabalham na quebra da castanha do caju em João Câmara, no interior do Rio Grande do Norte, não têm digitais. A pele das mãos é fininha e a ponta dos dedos, que costumam segurar as castanhas a serem quebradas, é lisa, sem as ranhuras que ficam marcadas a tinta nos documentos de identidade.
O óleo presente na casca da castanha de caju é ácido. Mais conhecido como LCC (Líquido da Castanha de Caju), esse líquido melado que gruda na pele e é difícil de tirar tem em sua composição ácido anacárdico, que corrói a pele, provoca irritações e queimaduras químicas. No vilarejo Amarelão, na zona rural de João Câmara, as castanhas são torradas – além de corroer a pele, o óleo é inflamável – e quebradas em um sistema de produção que envolve famílias inteiras, incluindo as crianças.

O óleo é pegajoso. Basta pegar uma castanha e quebrá-la para ficar com a pele manchada por alguns dias. Nem todas as crianças e os adultos que trabalham no processo sabem que o óleo é ácido. Muitos acham que a mão fica assim machucada por conta da água sanitária utilizada para tirar o preto encardido da mão depois de horas seguidas manuseando e quebrando as castanhas torradas. “Se fosse assim, as pessoas que usam água sanitária para limpeza estariam roubadas! É o óleo LCC que tem uma ação irritante, ele é cáustico, produz lesões e chega a retirar as digitais”, explica o médico Salim Amed Ali, autor de diferentes estudos sobre doenças ocupacionais para a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), do Ministério do Trabalho e Emprego. A perda da identidade não é permanente. Com o tempo, as digitais voltam se a pessoa se afastar da atividade.
Sobrevivência - O médico fez pesquisas específicas sobre a saúde de trabalhadores de unidades industriais de processamento de castanhas de caju e diz que a atividade pode ser considerada insalubre. No caso em questão, em que a produção é totalmente artesanal e as famílias dependem do trabalho para sobreviver, ele destaca quão contraditória é a situação. “A subsistência está calcada em condições de trabalho inviáveis. Para viver, o sujeito precisa se submeter a condições inaceitáveis e as crianças acabam sacrificadas. Não dá para aceitar isso em pleno século 21”, afirma.
Os trabalhos começam cedo, devido ao calor do sertão nordestino;
ao meio-dia, o sol é muito forte para prosseguir
Um menino e uma adolescente se revezando ao redor da mesa. A garota é quem cuida do fogo, alimenta a lata improvisada com cascas de castanha e controla as labaredas espirrando água com uma garrafinha. A fumaça sobe e cobre seu rosto. Um cachorro dorme perto do fogo. Eles estão nessa atividade desde a madrugada, começaram às 3 horas. É preciso começar cedo, no sol do sertão nordestino, não dá para continuar com o calor de meio-dia.

Os trabalhos começam cedo, devido ao calor do sertão nordestino; ao meio-dia, o sol é muito forte para prosseguir.
O garoto tem 13 anos e, assim como a irmã, cursou até a quarta série do ensino fundamental mas tem dificuldades para ler e escrever. Largou a escola na quinta série porque teria de viajar uma hora de ônibus para ir até uma que atende alunos mais velhos, localizada na área urbana de João Câmara – trabalhar e estudar ao mesmo tempo já é difícil quando a escola é perto; quando não há escolas perto, impossível. Ele quebra as castanhas com agilidade, seus dedos fininhos seguram, selecionam e escapam das pancadas duras.

São poucas as palavras, ambos trabalham em silêncio e as respostas são curtas. Na mesa vizinha, os mais velhos reclamam da falta de água – a que a prefeitura tem entregue para abastecer as cisternas do bairro é salobra. “Dá dor de barriga e aí a gente tem de comprar água de garrafa, vê se pode”, conta uma mulher de 63 anos, que já passou fome e acha melhor que as crianças trabalhem com castanhas do que colhendo algodão ou roçando pasto para o gado, atividades que exerceu quando criança
Meninas, meninos, pais, mães e famílias inteiras
se misturam para organizar a produção das castanhas

Em outra unidade de produção, uma família adapta o ritmo à existência de um recém-nascido. Uma adolescente, também de 15 anos, se reveza com o marido de 18 anos e sai, de tempos em tempos, para amamentar o bebê. “Eu lavo as mãos bem antes de pegá-lo, para não sujá-lo”, conta a mãe, antes de fazer uma pausa às 4 horas. 

O trabalho costuma ir até as 11 horas e, à tarde, todos trabalham tirando a pele fininha.
O emprego de crianças na quebra da castanha de caju está incluído na lista de piores formas de trabalho infantil, ao lado de atividades como beneficiamento do fumo, do sisal e da cana-de-açúcar. 

A situação a que estão submetidas as crianças de João Câmara (RN) não chega a ser novidade. A auditora fiscal do trabalho Marinalva Cardoso Dantas, coordenadora do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho da Criança e de Proteção ao Adolescente Trabalhador, tem realizado sucessivas ações de fiscalização, denunciado a situação e cobrado soluções. “Não dá para aceitar que as crianças continuem nessa situação, mas não basta reprimir, é preciso oferecer alternativas”.
Além de identificar as crianças e reunir informações para relatório a ser entregue ao Conselho Tutelar da cidade, ela também tem procurado cobrar providências por parte da prefeitura sobre a situação das famílias. 

Os programas sociais são considerados insuficientes pelos moradores, que reclamam da atuação do poder público. “Sabemos do que está acontecendo, mas até agora não conseguimos avançar”, admite Maria 
Redivan Rodrigues, secretária de Assistência Social e primeira-dama de João Câmara, que promete solucionar o problema em um ano, até setembro de 2014. O Brasil se comprometeu a erradicar as piores formas de trabalho infantil até 2015, mas, mesmo com denúncias, situações com a de João Câmara persistem.
Em 24 de fevereiro de 2012, o promotor Roger de Melo Rodrigues, do Ministério Público Estadual, abriu o Inquérito Civil nº 06.2012.00003777-7 após denúncias. “Ele disse que ia processar as famílias, tentou proibir as pessoas de trabalhar, deixou todo mundo apavorado. Foi muito ruim”, diz Ivoneide Campos, presidente da Associação Comunitária do Amarelão. “A fumaça faz mal, a gente sabe, mas as famílias não querem mudar o método com que sempre trabalharam. E não adianta forçar, tem de transformar em querer, ajudar na busca de alternativas”, defende.
Procurado para comentar a reclamação, o promotor negou, em nota, que sua atuação tem sido meramente repressiva. Ele diz que “os problemas relacionados à queima de castanha, tais como impacto ambiental, danos à saúde dos moradores e trabalho infantil, não têm passado desapercebidos do Ministério Público Estadual” e que “em vez de buscar a repressão de delitos relacionados ao caso, esta Promotoria tem priorizado o diálogo com a respectiva comunidade, já havendo sido realizadas duas reuniões no local com todos os interessados e representantes de órgãos municipais, estaduais e federais, objetivando a construção de um consenso para solucionar o caso”.
Assim que as castanhas estão
 torradas, as mãos se levantam; pancadas
quebram uma noz, depois outra e outra, e outra
O promotor reclama, porém, que embora “busque uma resposta adequada e legítima aos problemas, tem enfrentado alguma resistência relacionada ao costume já enraizado, da parte de algumas famílias locais, de proceder à queima de castanhas ao alvedrio dos respectivos danos decorrentes, o que não impedirá uma atuação isenta e efetiva para a resolução do caso”.
Potiguar - Entre as famílias que dependem do processamento de castanhas de caju para sobreviver estão as de um assentamento localizado na região de índios Potiguar, um dos poucos núcleos remanescentes dessa etnia que no passado povoou o estado inteiro. Os ganhos são mínimos. A castanha crua é comprada de pequenos produtores da região de Serra do Mel. Um saco de 50 kg rende, em média, 10 kg de castanha processada. As famílias contam que ganham de R$ 30 a R$ 100 por semana, vendendo a produção a intermediários que revendem em feiras e mercados de cidades.
O óleo se esparrama em torno das unhas,
pela ponta dos dedos e, quando se vê,
as mãos inteiras já estão cheias de ácido

“Tentamos identificar quem lucra com isso, mas é um sistema muito primitivo. As indústrias organizaram a produção e estão processando diretamente as castanhas, não identificamos nenhuma envolvida. Os intermediários são pequenos comerciantes que adquirem o produto diretamente com as famílias”, explica o auditor fiscal José Roberto Moreira da Silva.

Criatividade na busca por soluções para as famílias não falta. Nilson Caetano Bezerra, do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho da Criança e de Proteção ao Adolescente Trabalhador Aprendiz, por exemplo, sonha em fazer parcerias com as empresas de produção de energia eólica, que fazem multiplicar o número de torres de geração na região, para empregar adolescentes como aprendizes. E em providenciar máquinas para que os adultos não tenham de manusear as castanhas torradas. Experiências com mecanização já aconteceram, mas o descasque manual ainda é o preferido porque a taxa de desperdício é menor.
Mesmo que já exista formas de produção mecanizadas, ainda há 
preferência pelas técnicas manuais, que seriam mais produtivas
Em fevereiro, o juiz Arnaldo José Duarte do Amaral, titular da 9ª Vara do Trabalho de João Pessoa, visitou a comunidade e também encontrou as crianças trabalhando na produção de castanhas. Ele escreveu um artigo sobre a questão e, desde então, tenta articular soluções e envolver mais interessados em resolver o problema. “Quando estive lá como juiz, me perguntavam se ia prender alguém. Não é esse o papel do judiciário, o objetivo não é prender ninguém, é achar solução”, diz, defendendo a formação de cooperativas e mecanismos de economia solidária como o melhor caminho para erradicar o trabalho infantil e melhorar a condição de trabalho dos adultos. “A gente tenta corrigir essas questões há séculos, sem sucesso. Não bastam ações repressivas, que vão além de tentar punir.”
(Reportagem produzida em parceria com Promenino/Fundação Telefônica Vivo, e publicada também no site Promenino, que reúne mais informações sobre combate ao trabalho infantil)

sábado, 5 de outubro de 2013

Após recusar atores negros, Fifa é acusada de racismo

Uma decisão do Comitê Organizador Local (COL), que cuida dos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, causou polêmica. Após os nomes dos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga vetados para apresentar o evento de sorteio dos grupos da competição, internautas estão acusando a Fifa de racismo.

De acordo com um dos jornalistas da revista “Veja”, o COL negou as acusações e justificou a recusa alegando que tratava-se de um evento esportivo, não de uma novela global.

A entidade alega que a escolha por outros nomes não tem nenhuma ligação com questão racial e informou que prefere "um nome mundial mais forte", já que o sorteio dos grupos serão transmitidos para todo o mundo.

O fato, no entanto, gerou indignação nos internautas não apenas pela recusa dos dois atores globais, que são negros, mas pelo fato de a própria Fifa ter escolhido a apresentadora Glenda Kozlowski, também funcionária da Rede Globo, para apresentar o sorteio da Copa das Confederações, em 2012.

Fonte: Instituto Mídia Étnica

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

TJ de Mato Grosso concede Habeas Corpus para ativista dos direitos humanos

Uma excelente notícia trazida pelo sociólogo e jornalista Marcos Romão, editor do Mama Press, site afro-germânico: o Tribunal de Justiça do Mato Grosso decidiu, ontem (30/09), por conceder o Habeas Corpus para o ativista dos Direitos Humanos Eduardo Miranda Martins, o DUDU. Ele foi preso sob falsa acusação de tráfico de drogas, durante a manifestação de 20 de junho de 2013, em Campo Grande. Dudu responderá as acusações em liberdade.

Foram exatos 69 (sessenta e nove) advogados voluntários, mobilizados por um grupos de amigas e amigos que acreditam na versão de Dudu, que alega, com testemunhas, terem sido plantadas drogas em sua mochila, depois dele ter sido sequestrado e espancado por três horas pela Guarda Municipal de Campo Grande.

O histórico das desavenças políticas entre Dudu e a Guarda Municipal começou em 2012, nas últimas eleições. Dudu foi candidato a vereador e sua bandeira era a proibição do uso de armas letais pela Guarda Municipal de Campo Grande. No início deste ano Dudu foi espancado na rua por 12 guardas municipais e registrou a ocorrência na Ordem dos Advogados do Brasil e no Ministério Público.

Entenda o caso
No dia 20 de junho de 2013, ao voltar para casa depois de participar como liderança nas manifestações na cidade, Dudu, que estava acompanhado, foi abordado no terminal de ônibus, por um grupos de seis guardas municipais à paisana. Eles o levaram para trás da Prefeitura. O colocaram de joelhos e durante 3 horas foi espancado. Em seguida o levaram para a delegacia, alegando que ele portava 23 papelotes de cocaína e 2 trouxinhas de maconha.

Desde então Dudu encontra-se preso, transformando-se no preso político com mais tempo de prisão desde a "Primavera Brasileira" de junho deste ano.

Durante este tempo um grupo de amigas e amigos de Dudu, criaram uma página no Facebook, mobilizaram a Anistia Internacional, a Presidência da República, através de seus órgãos de Igualdade Racial e Direitos Humanos e grupos de apoio no Brasil e na Europa América Latina e África: e, nada aconteceu. Os dois pedidos de Habeas Corpus para Dudu foram rejeitados.

Na tarde de ontem, 30 de setembro, dois desembargadores e o relator do processo revisaram suas posições e concederam o Habeas Corpus. Até sexta-feira Dudu deverá receber o "Alvará de Soltura" para responder as acusações em liberdade.

Solidário e engajado desde o primeiro momento nesta causa pela liberdade e respeito aos direitos humanos, Marcos Romão deseja que Dudu mantenha sua cabeça erguida e acredite na anulação deste processo político. Segundo relembra o editor do Mama Press, existem estatísticas que mostram existirem cerca de 300 mil brasileiros aguardando seus alvarás de soltura encarcerados nas prisões em todo o território nacional.



Jornalista é xingada e ameaçada por professores no Rio de Janeiro

Cinelândia, RJ - (Imagem: Divulgação/CBN)
Repórter da CBN, Marcela Lemos foi escalada nesta terça-feira, 1°, para cobrir as reivindicações dos professores do município do Rio de Janeiro, que estão em greve desde a última semana. A jornalista teve problemas com os manifestantes ao se aproximar do ponto de aglomeração do grupo, no centro da cidade.
Ao chegar em frente à Câmara Municipal, a repórter foi cercada por alguns professores, xingada, ameaçada e teve sua entrada no prédio quase impedida pelos revoltosos. Ela tentava acompanhar a sessão do plano de carreiras da categoria. Marcela só conseguiu dar prosseguimento ao seu trabalho – e acompanhar a votação - após intervenção da Polícia Militar.
Também jornalista da emissora de rádio, Maíra Menezes relatou o caso ao participar do ‘CBN Total’. Ela afirmou que a colega de trabalho só não foi agredida fisicamente por manifestantes graças à ajuda de policiais. “Cercaram a repórter”, disse Maíra. “Ela [Marcela] tentou dialogar com eles, explicar a cobertura que tem sido feita pela CBN”, complementou.
Entidades estão preocupadas
O ato contra a repórter provocou a reação de duas entidades da área de comunicação. Em nota conjunta enviada à imprensa no fim desta tarde, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiaram o episódio e rechaçaram “os atos hostis cometidos” por integrantes da manifestação dos professores.
“É extremamente preocupante que atitudes antidemocráticas como as observadas nesta tarde partam de uma categoria profissional cuja responsabilidade é educar as novas gerações. Qualquer tentativa de impedir que profissionais de imprensa exerçam seu trabalho deve ser condenada em respeito à liberdade de expressão e ao direito da sociedade à informação”, lamentam as duas organizações.
Fonte: Comunique-se

Ativista dos Direitos Humanos é intimidado pela PM da Bahia

Em tempos de combate à criminalização dos movimentos sociais e de extermínio da população jovem negra, uma situação bastante preocupante ocorreu no Estado da Bahia: o defensor dos direitos humanos e militante do Quilombo X, Hamilton Borges Walê, foi abordado em sua casa, na noite de 30/09, por PM’s portando metralhadoras que alegavam atender uma denúncia anônima. A abordagem truculenta contou com a inexistência de um mandato judicial para invadir uma residência altas horas da noite.

Abaixo, a nota de repúdio feito por organizações que atuam com Direitos Humanos.

NOTA DE REPÚDIO CONTRA A INTIMIDAÇÃO AO MILITANTE HAMILTON BORGES WALÊ

Justiça Global e Coletivo Das Lutas repudiam tentativa de intimidação por parte do Estado ao militante e defensor Hamilton Borges Walê

Hamilton Borges Walê, defensor de direitos humanos, militante do Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária e da Campanha Reaja ou Será Morto/ Reaja ou Será Morta, foi abordado em sua casa, ontem à noite, dia 30/09, por policiais militares fortemente armados, em Salvador. Os PM’s portavam metralhadoras e alegavam atender uma denúncia anônima. Além da truculência na abordagem, os policiais não tinham mandato judicial – que não teria validade pelo tardar da hora – para invadir a residência – inviolável* – de Hamilton Borges.

Ele e sua companheira, Andrea Beatriz Santos, atuam na proteção e garantia dos direitos da população negra e encarcerada da Bahia. Acompanham diversos casos de violência estatal contra negros e negras e violação de direitos em comunidades quilombolas.

A Quilombo Xis e a Campanha Reaja travam uma luta cotidiana pelo fim do genocídio do povo negro. Entre 2009 a 2012, 6.483 pessoas foram assassinadas, em Salvador. Mais de 80% das vítimas eram negras. O Mapa da Violência de 2012 mostrou que para cada pessoa branca assassinada, na capital, 15 negros são executados.

Não admitiremos que Hamilton Borges Walê e sua família sejam intimidados pelo aparato repressivo racista do Estado Bahia. A Justiça Global e o Coletivo Das Lutas prestam solidariedade ao companheiro Hamilton e a sua família na luta contra a violência policial, racismo e desigualdade.

Justiça Global
Coletivo Das Lutas


* Art. 5º, XI – C.F.”A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial”.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Editais da FCP-MinC investem R$2,3 milhões na produção cultural negra

Chamadas públicas da FCP – MinC  vão apoiar a produção audiovisual e atividades socioculturais em referência a memória e a resistência da cultura negra

A Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP) vai investir R$2,3 milhões em ações para o registro e dinamização das culturas negras brasileiras com os Editais Palmares 25 Anos: 1º Imagens da Memória e 3º Ideias Criativas, que serão lançados pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, nesta terça-feira, 1º de outubro, às 10h, no auditório da FCP – MinC, em Brasília/DF. As inscrições seguem até dia 15 de novembro.

Os certames representam mais uma estratégia da FCP – MinC para registrar e promover a memória e a resistência negra no Brasil. Hilton Cobra, presidente da FCP – MinC, avalia que a iniciativa é parte do empenho da Fundação rumo a uma política pública de cultura que contemple os produtores e artistas negros(as). “O mecanismo de chamada pública/edital é o meio que temos, atualmente, para expressar nosso intuito de ver as produções artísticoculturais negras efetivadas e circulando por todos os cantos do Brasil”, disse.

Imagens, histórias e memórias negras – A sabedoria negra é levada pelas gerações por líderes: anciãos e anciãs que guardam na memória conhecimento, sua história e identidade. E com o objetivo de registrar os depoimentos desses mestres e mestras, a FCP – MinC elaborou o 1º Edital Imagens da Memória.

A premiação de R$1,3 milhão, recurso do Fundo Nacional de Cultura, será distribuída para 12 obras audiovisuais que irão captar as narrativas de mulheres e homens negros das comunidades quilombolas, tradicionais de matriz africana e ícones das manifestações culturais afro-brasileiras sobre de temas diversos, adotando as histórias sobre a escravidão como parâmetro prioritário para os registros.

Criatividade negra – Já a terceira edição do Edital Ideias Criativas, com apoio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, vai destinar R$1 milhão à 38 projetos para elaboração e execução de atividades socioeducativas formativas, assim como para pesquisa produção e publicação de trabalho. As ações devem, principalmente, promover a dinamização, preservação e difusão da memória da população negra no Brasil.

“Os Editais trabalham com a questão da presença negra para construção da sociedade brasileira, com foco na memória e na resistência dessa população. São ainda um reforço para as ações em torno do 20 de novembro, uma importante conquista do Movimento Negro Brasileiro, e um reconhecimento à importância e referência da memória quilombola e de outros ícones das culturas negras no Brasil “, concluiu o presidente da FCP – MinC, Hilton Cobra.

Mais incentivo para Arte Negra - De acordo com Cobra, além de outros editais nos quais os produtores e as temáticas negras sejam contempladas, é imperativa a necessidade de garantir mais incentivos para as artes e culturas negras. “O Brasil só tem a ganhar com a riqueza de abordagens cultural pautada na equidade na aplicação dos recurso e de expressão das criatividades” completa.

Os dois editais ora lançados pela FCP tem em comum a perspectiva do registro da memória negra – destacando sua atuação no campo artisticocultural e as lembranças ligadas ao escravismo. O presidente da FCP acredita, que com essas iniciativas, criam-se possibilidades para que trajetórias ainda invisibilizadas pela historiografia oficial possam contribuir para a construção de um Brasil que respeite as diferenças e a cultura negra.

Os produtos motivados pelos editais farão parte do acervo da Fundação Cultural Palmares – MinC.

Serviço
Lançamento dos Editais Palmares 25 anos: 1º Imagens da Memória e 3º Ideias Criativas
Data: Terça-feira, 1º de outubro de 2013
Horário: 10 horas
Local: Quadra 601 Norte – SGAN – Lote L, Ed. ATP, em Brasília/DF

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Participe do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo

Em sua sétima edição, o concurso traz como tema especial a Copa do mundo, megaeventos e seus efeitos sobre os direitos humanos, especialmente de crianças e jovens. Entram na temática situações de vulnerabilidade como: trabalho infantil, exploração sexual, turismo sexual, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, racismo, violência, remoções, legado social, políticas de proteção e promoção dos direitos, entre outros. 

O concurso premia projetos de reportagem, ou seja, matérias que ainda não foram veiculadas. O repórter (ou a equipe) recebe R$11.550 para desenvolver a reportagem. Esse valor pode ser complementado. Além disso, o responsável pelo projeto escolhido recebe R$3.300 como prêmio. São cinco categorias: mídia impressa, rádio, TV, mídia online e alternativa e categoria especial "violência sexual". Para TV, o montante de investimento na reportagem é de R$17.550. 

É uma iniciativa do Unicef, OIT, Childhood, Fenaj e Abraji, executada pela ANDI- Comunicação e Direitos em homenagem ao jornalista Tim Lopes, morto ao realizar uma reportagem sobre violência sexual. 

Mais detalhes, ficha de inscrição e regulamento, aqui: www.andi.org.br/timlopes
No site também é possível ver os ganhadores de outras edições. São jornalistas renomados. É um prêmio que privilegia a grande reportagem e a qualidade jornalística, além da abrangência. Não é um prêmio de incentivo a pequenas iniciativas.

As inscrições terminam em 27 de outubro. Inscreva-se!

sábado, 14 de setembro de 2013

Mais da metade da população brasileira tem excesso de peso

Dados inéditos do Ministério da Saúde revelam que, pela primeira vez, o percentual de pessoas com excesso de peso supera mais da metade da população brasileira. 

A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2012) mostra que 51% da população acima de 18 anos está acima do peso ideal. 


Em 2006, o índice era de 43%. Entre os homens, o excesso de peso atinge 54% e entre as mulheres, 48%.

O estudo inédito também indica que a obesidade cresceu no país, atingindo o percentual de 17% da população. Em 2006, quando os dados começaram a ser coletados pelo Ministério, o índice era de 11%. O aumento atinge tanto a população masculina como a feminina. 

Na primeira edição da pesquisa, 11% dos homens e 11% das mulheres estavam obesos. Atualmente, 18% das mulheres estão obesas. Entre os homens, a obesidade contabiliza 16%.

Fonte: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/33496

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Estações de rádio AM podem acabar, em breve

O Ministério das Comunicações encaminhou à Casa Civil do Governo Federal a minuta do decreto que estabelece as diretrizes legais para a migração dos canais de rádio AM para a faixa de FM. 

O texto passa agora por análise técnica para então ser assinado pela presidente da República, Dilma Rousseff. Em Porto Alegre, a rádio Esperança ainda opera apenas na estação AM.

A expectativa é de que o decreto seja editado no próximo dia 25, data oficial em que se comemora o Dia do Rádio. “E uma ótima notícia. Trabalhamos muito para isso, e o governo compreendeu a importância da nossa pauta. Essa mudança será uma grande oportunidade para o fortalecimento do setor. A migração dará condições para as emissoras se adaptarem melhor às tecnologias”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), Daniel Slaviero.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Penitenciárias privadas batem recorde de lucro com política do encarceramento em massa

De: http://operamundi.uol.com.br

"A nossa companhia foi fundada no princípio que poderíamos, sim, vender prisões. Da mesma forma como se vendem carros, imóveis ou hambúrgueres".  Simples e objetivo, um dos fundadores da CCA (Corrections Corporation of América), responsável pela privatização de dezenas de penitenciárias nos EUA, define sua área de atuação.

Desde a inauguração em 1983, a empresa passou a fazer parte do seleto grupo das multibilionárias dos EUA com um "produto" no mínimo controverso: prender pessoas. A lógica de mercado é simples: quanto mais presos os centros penitenciários abrigam, mais verbas federais são repassadas para a CCA e outras prisões, aumentando gradativamente os lucros. Segundo o instituto Pew Charitable Trusts, o setor registra recordes consecutivos de lucro no decorrer dos últimos anos e é o segundo mais rentável aos investidores do país.

O maior complexo penitenciário da CCA em Lumpkin, Geórgia, por exemplo, recebe 200 dólares por cada preso todos os dias, rendendo um lucro anual de 50 milhões de dólares. Além disso, a empresa potencializa os vencimentos cobrando cinco dólares pelo minuto das ligações telefônicas - provavelmente a taxa por minuto mais cara do planeta. Os presos que trabalham no local - não importa quantas horas - recebem um dólar pelo dia trabalhado.

“Prender pessoas virou um negócio absolutamente lucrativo para iniciativa privada em especial para os lobistas que vão até Washington para garantir que as leis e a legislação do país funcionem para garantir que os pobres continuem sendo enviados ao cárcere”, afirma o cientista político Chris Kirkham ao portal Huffington Post.

Com a implantação da dinâmica de mercado às prisões, a população carcerária dos EUA teve um crescimento de mais de 500% - valor que representa 2,2 milhões de pessoas nas prisões norte-americanas. Os EUA, aliás, abrigam 25% da população carcerária do mundo.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Movimentos sociais debatem o Programa Mais Médicos em Brasília

Foto: José Cruz/ABr
29/08 - “É importante que essa informação chegue às pessoas e que elas possam se posicionar. nós fazemos um apelo para que as pessoas, à medida que elas conheçam o programa, o defendam”, afirmou o ministro Gilberto Carvalho, na quarta-feira (28/8) durante o Diálogos Governo-Sociedade Civil sobre o Programa Mais Médicos, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

O evento, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, reuniu cerca de 50 representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade. Carvalho disse ainda que a forma com que os médicos cubanos foram recebidos pelos profissionais brasileiros pode ter uma de carga de preconceito. “Eles vêm ajudar quem os médicos brasileiros se recusaram a ajudar”, disse ainda o ministro que condenou as “declarações infelizes, gestos alguns legítimos de protestos, outros que causam espécie porque carregados de preconceito, xenofobia, corporativismo exacerbado, além do racismo”.

Fernando Menezes, secretário-adjunto da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, fez uma apresentação sobre a situação da saúde no Brasil e o Programa Mais Médicos. De acordo com Menezes, o Programa faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê investimento em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou não existem profissionais. “Hoje, o Brasil possui 1,8 médicos por mil habitantes. Esse índice é menor do que em outros países, como a Argentina (3,2), Uruguai (3,7), Portugal (3,9) e Espanha (4). Além da carência dos profissionais, o Brasil sofre com uma distribuição desigual de médicos nas regiões - 22 estados possuem número de médicos abaixo da média nacional”, informou.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Continua aberto edital de concurso do Selo Fiocruz Vídeo para animação e documentário

A Fiocruz, através do Selo Fiocruz Vídeo, marca de difusão e fomento de audiovisuais em saúde da Fundação, lançou edital, em 14 de agosto, para o segundo Concurso de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Inéditas. O objetivo do concurso é fomentar e estimular a produção nacional de vídeos no gênero animação (entre 17 e 22 minutos) e documentários (entre 22 e 26 minutos e entre 50 e 52 minutos) sobre temas relativos à saúde pública. 


Com apoio financeiro integral da Fundação Oswaldo Cruz, o concurso apoiará, preferencialmente, produções sobre os seguintes temas: doenças negligenciadas; História da Saúde Pública; doenças transmissíveis; doenças não transmissíveis; violência e saúde; saúde da mulher e da criança (como, por exemplo, parto no Brasil); saúde do trabalhador; saúde mental.


São oferecidos R$ 650.600,00, valor sujeito a impostos, taxas e às retenções (ISSQN, PIS/PASEP, IR, CSLL, COFINS) previstas na legislação tributária federal, estadual e municipal, que estão assim alocados


a - apoio à produção de 02 (dois) vídeos de (17 a 22 minutos) - vídeo único ou em partes, no gênero animação, no valor de R$ 114.975,00 para cada vídeo, totalizando 229.950,00;


b - apoio à produção de 02 (dois) vídeos de ( 22 a 26 minutos) no gênero documentário, no valor de R$ 123.388,00 para cada vídeo, no valor total de R$ 246.776,00;


c - apoio à produção de 01 (um) vídeo de (50 a 52 minutos) no gênero documentário, no valor de R$ 173.874,00.


Fonte: http://www.icict.fiocruz.br/content/aberto-edital-de-concurso-do-selo-fiocruz-video-para-animacao-e-documentario

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Encerra amanhã, 30/08, inscrição para seleção de articuladores no Programa Caminho Melhor Jovem para Manguinhos e Cidade de Deus

Prazo para inscrição segue até 23:59 de amanhã, 30 de agosto.

Em virtude da baixa procura para a função de articuladores no processo seletivo ocorrido entre 31 de julho e 09 de agosto, foram reabertas as inscrições para novas candidaturas.  

O Governo do Estado do Rio de Janeiro firmou Contrato de Empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, para financiamento parcial do Programa de Inclusão Social e Oportunidades para Jovens no Rio de Janeiro, a ser executado pela SEASDH/RJ sob a coordenação da Unidade de Gestão do Programa (UGP).

Os candidatos selecionados para ocuparem as vagas serão contratados como bolsistas por prazo de 12 meses, renovável de acordo com a estratégia definida pela SEASDH, e serão lotados nas áreas que residem.

O objetivo geral do Programa é contribuir para a inclusão social e produtiva de jovens de 15 a 29 anos que vivem em áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) ou em processo de pacificação do Estado do Rio de Janeiro, por meio do acompanhamento da trajetória do jovem, através de serviços de tutoria e aconselhamento para a construção de um plano de autonomia individual, e da articulação entre suas demandas e a oferta melhorada e integrada de oportunidades.

Este processo seletivo visa ao preenchimento de 6 (seis) vagas de articuladores das Unidades de Gestão Territorial do Programa, sendo 1 (uma) vaga para a Cidade de Deus e 5 (cinco) vagas para Manguinhos. Os currículos e a carta de apresentação deverão ser enviados no período entre 27 de agosto às 23:59 a 30 de agosto de 2013 através do e-mail: programacaminhomelhorjovem@gmail.com.  

Os candidatos deverão ter entre 18 e 29 anos e fazer constar no campo Assunto o título da função ”Articulador”. Mensagens enviadas sem a indicação da função no campo “Assunto” serão descartadas. Ressaltamos ainda que não serão avaliados currículos fora das especificações requeridas e do prazo estipulado por este processo seletivo.

A seleção se dará através de 3 avaliações distintas, contabilizando até 20 pontos:
1) Análise Curricular – até 5 pontos.

2) Carta de Apresentação que descreva como o candidato vem participando ou se propõe a participar em projetos sociais na sua comunidade - até 7 pontos.

3) Entrevista – até 8 pontos. 

1) A análise curricular será feita através da contagem de pontos, sendo que aqueles que não cumprirem com o requisito mínimo de estarem matriculados em escola e cursando a partir do ensino fundamental – segundo segmento, serão eliminados. A pontuação será distribuída de acordo com a formação e a experiência profissional declaradas no currículo, sendo que até 05 pontos poderão ser adquiridos neste item. Quanto à experiência profissional e em mobilização comunitária, será atribuído 1 ponto pelo cumprimento do solicitado e 0,5 ponto por ano ultrapassado de experiência até o limite de 03 pontos. Aqueles que tiverem participação em projetos e movimentos sociais receberão 0,5 ponto para cada ano de experiência, podendo chegar a no máximo 2 pontos.

2) Carta de Apresentação é uma redação de até 30 linhas sobre como o jovem vem participando ou se propõe a participar em projetos sociais na sua comunidade - até 7 pontos.

3) A entrevista terá um caráter classificatório, sendo atribuída nota de zero a oito de acordo com o desempenho do candidato. Não haverá segunda chamada para a entrevista, sendo que a convocatória com o horário da mesma enviada para o e-mail disponibilizado no currículo na mesma data de disponibilização do resultado da fase de análise curricular. Serão entrevistados até cinco vezes o número de candidatos por vaga disponível, após a fase de análise curricular.
Abaixo há uma breve descrição da função a ser exercido, o perfil desejado, a carga horária de trabalho semanal e a remuneração. 

5 (cinco) Vagas para Articulador
(Apoia a equipe de campo nas estratégias de mobilização local, participando das atividades propostas)
Nível fundamental I completo e estudando, caso ainda não tenha completado o Ensino Médio; desejável conhecimento básico de informática; experiência comprovada em trabalhos em comunidades de pelo menos 1 ano;  necessário que seja morador do território de Manguinhos e ser jovem de 18 a 29 anos.
20 horas
R$ 600,00
1 (uma) Vaga para Articulador
(Apoia a equipe de campo nas estratégias de mobilização local, participando das atividades propostas)
Nível fundamental I completo e estudando, caso ainda não tenha completado o Ensino Médio; desejável conhecimento básico de informática; experiência comprovada em trabalhos em comunidades;  necessário que seja morador de Cidade de Deus e ser jovem de 18 a 29 anos.
20 horas
R$ 600,00

CRONOGRAMA DE SELEÇÃO

Divulgação
27/08/2013 às 23h59 de 30/08/2013.
Publicação no site http://www.rj.gov.br/web/seasdh e demais mídias.
Recebimento de Currículos
Divulgação de Convocados para Entrevista Presencial
02/09/2013
Publicação no site http://www.rj.gov.br/web/seasdh e demais mídias. E-mail aos selecionados informando horário e local.
Entrevista
03/09/2013
Sede da SEASDH (Praça Cristiano Othoni, s/nº, Edifício Dom Pedro II, Central do Brasil, Rio de Janeiro).
Resultado
A partir de 05/09/2013.
Publicação no site www.rj.gov.br/web/seasdh e demais mídias.