quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Duas faltas: Sergio Arouca e Careli - Asfoc entrega prêmios pela luta por direitos humanos, saúde e cidadania

Vinte anos depois do desaparecimento do servidor da Fundação Oswaldo Cruz Jorge Careli (10/08/1993), o Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN) homenageará com a Medalha Careli de Direitos Humanos  a Comissão de Direitos Humanos e Assistência Jurídica da OAB do Rio de Janeiro e a Associação de Moradores da Vila Autódromo.

Desde 2001, a Asfoc-SN concede a medalha para pessoas ou entidades que se destacam na luta contra a violência e na defesa dos direitos humanos. Na cerimônia, que será realizada em 12 de setembro (quinta-feira), a partir das 16h, no Estação Asfoc, na Fiocruz, em Manguinhos, o Sindicato repudia a violência do Estado contra os movimentos sociais e populares e cobra das autoridades competentes a responsabilidade nas práticas autoritárias, arbitrárias e abusivas, como, por exemplo, no caso Amarildo, o ajudante de pedreiro desaparecido desde julho, na Rocinha.

Na mesma ocasião, o Sindicato entregará ainda o Prêmio Especial Sergio Arouca de Saúde e Cidadania para a VídeoSaúde Distribuidora da Fiocruz (Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnolocia em Saúde/Icict); ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental/Laps (Escola Nacional de Saúde Pública/Ensp/Fiocruz); ao chefe do departamento de cirurgia pediátrica do Instituto Fernandes Figueira/IFF, Paulo Roberto Boechat; e ao ex-presidente do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps) Hesio de Albuquerque Cordeiro.

Por manterem viva a memória e a obra do sanitarista, que faleceu há 10 anos (02/08/2003), o prêmio é concedido pelo Sindicato, desde 2004, a uma personalidade ou entidade de destaque na luta por saúde e cidadania para a população.

Memória do Caso Careli: No último 10 de agosto, completaram 20 anos do desaparecimento do companheiro Jorge Careli. Em 1993, o servidor da Fiocruz foi confundido com um sequestrador e levado por policiais da Divisão Anti-Sequestro (DAS) quando falava de um telefone público na Favela da Varginha, em Manguinhos. Careli nunca mais foi visto.

Desde então, a Asfoc e os trabalhadores da Fiocruz se mobilizaram cobrando das autoridades a responsabilidade pelo desaparecimento do servidor da Fundação. A Justiça condenou o Estado do Rio de Janeiro a pagar uma indenização à família de Careli e, depois de quase duas décadas do desaparecimento, declarou, finalmente, a morte presumida do servidor em 2012.

Equivalente à certidão de óbito, o Sindicato entregou em março deste ano o documento à mãe de Jorge, dona Maria, em cerimônia pública com amigos e familiares de Careli, diretores e ex-dirigentes do Sindicato.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Penitenciárias privadas batem recorde de lucro com política do encarceramento em massa

De: http://operamundi.uol.com.br

"A nossa companhia foi fundada no princípio que poderíamos, sim, vender prisões. Da mesma forma como se vendem carros, imóveis ou hambúrgueres".  Simples e objetivo, um dos fundadores da CCA (Corrections Corporation of América), responsável pela privatização de dezenas de penitenciárias nos EUA, define sua área de atuação.

Desde a inauguração em 1983, a empresa passou a fazer parte do seleto grupo das multibilionárias dos EUA com um "produto" no mínimo controverso: prender pessoas. A lógica de mercado é simples: quanto mais presos os centros penitenciários abrigam, mais verbas federais são repassadas para a CCA e outras prisões, aumentando gradativamente os lucros. Segundo o instituto Pew Charitable Trusts, o setor registra recordes consecutivos de lucro no decorrer dos últimos anos e é o segundo mais rentável aos investidores do país.

O maior complexo penitenciário da CCA em Lumpkin, Geórgia, por exemplo, recebe 200 dólares por cada preso todos os dias, rendendo um lucro anual de 50 milhões de dólares. Além disso, a empresa potencializa os vencimentos cobrando cinco dólares pelo minuto das ligações telefônicas - provavelmente a taxa por minuto mais cara do planeta. Os presos que trabalham no local - não importa quantas horas - recebem um dólar pelo dia trabalhado.

“Prender pessoas virou um negócio absolutamente lucrativo para iniciativa privada em especial para os lobistas que vão até Washington para garantir que as leis e a legislação do país funcionem para garantir que os pobres continuem sendo enviados ao cárcere”, afirma o cientista político Chris Kirkham ao portal Huffington Post.

Com a implantação da dinâmica de mercado às prisões, a população carcerária dos EUA teve um crescimento de mais de 500% - valor que representa 2,2 milhões de pessoas nas prisões norte-americanas. Os EUA, aliás, abrigam 25% da população carcerária do mundo.

Eis uma questão ...


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Movimentos sociais debatem o Programa Mais Médicos em Brasília

Foto: José Cruz/ABr
29/08 - “É importante que essa informação chegue às pessoas e que elas possam se posicionar. nós fazemos um apelo para que as pessoas, à medida que elas conheçam o programa, o defendam”, afirmou o ministro Gilberto Carvalho, na quarta-feira (28/8) durante o Diálogos Governo-Sociedade Civil sobre o Programa Mais Médicos, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

O evento, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, reuniu cerca de 50 representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade. Carvalho disse ainda que a forma com que os médicos cubanos foram recebidos pelos profissionais brasileiros pode ter uma de carga de preconceito. “Eles vêm ajudar quem os médicos brasileiros se recusaram a ajudar”, disse ainda o ministro que condenou as “declarações infelizes, gestos alguns legítimos de protestos, outros que causam espécie porque carregados de preconceito, xenofobia, corporativismo exacerbado, além do racismo”.

Fernando Menezes, secretário-adjunto da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, fez uma apresentação sobre a situação da saúde no Brasil e o Programa Mais Médicos. De acordo com Menezes, o Programa faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê investimento em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou não existem profissionais. “Hoje, o Brasil possui 1,8 médicos por mil habitantes. Esse índice é menor do que em outros países, como a Argentina (3,2), Uruguai (3,7), Portugal (3,9) e Espanha (4). Além da carência dos profissionais, o Brasil sofre com uma distribuição desigual de médicos nas regiões - 22 estados possuem número de médicos abaixo da média nacional”, informou.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Participatório: plataforma virtual é um interessante espaço de debates e reivindicações da juventude

Em tempos de uso das novas mídias difundidas na internet para o fortalecimento e divulgação de vozes e ideias múltiplas que ecoam para além das barreiras sociais e políticas, a Secretaria Nacional da Juventude investe no Participatório - Observatório Participativo da Juventude. O site estimula o debate e a participação voltados aos jovens brasileiros, nos moldes de redes sociais.

Mensalmente, são desenvolvidas discussões, como o debate envolvendo o Programa Juventude Viva, aberto a todos e todas no http://participatorio.juventude.gov.br, a ser encerrado dia 9 de setembro. Depois, outro tema ficará na roda de conversas.

Sobre a Plataforma
O portal interativo é um site de debates e reivindicações da juventude a respeito das políticas públicas para o segmento. O ambiente virtual pretende ainda estimular a participação do jovem em mobilizações, além de produzir conhecimentos e divulgar conteúdos relacionados às políticas juvenis em geral.

Três grandes núcleos contemplam a plataforma: Estudos e Pesquisas, que reúne publicações, acervo e articulação do conhecimento sobre a temática juvenil; Comunicação e Mobilização, responsável pela divulgação de conteúdos nas redes sociais e pelas ações de mobilização presencial; e o terceiro núcleo é o de Desenvolvimento Digital que tem a tarefa de desenvolver as atividades do site.

Todo esse conjunto de ferramentas visa potencializar o diálogo com os jovens, as universidades, instituições de pesquisa, movimentos sociais e culturais da juventude, assim como a consolidação do diálogo com representações juvenis.

Para interagir na rede e inserir documentos é necessário realizar um registro na página. O usuário pode participar dos debates que estão acontecendo, integrar alguma comunidade já existente ou criar uma nova. O endereço da plataforma é www.participatorio.juventude.gov.br.

Democracia na rede: desafio ou realidade?
Um dos principais desafios que a plataforma pode enfrentar é o de manter o público-alvo em uma nova rede social. Os jovens internautas já estão cadastrados em mais páginas desse tipo do que conseguem efetivamente usar.  Contudo, mesmo tendo uma dinâmica integrada com as redes sociais e blogs, o site não pretende ser mais uma rede de relacionamento e sim de debates e troca de conhecimentos, como se intitula.

É importante ressalvar que não há nenhum conteúdo vinculado na rede sofreu algum tipo de censura, mesmo contendo postagens com críticas ao governo, apesar ser uma página criada pela Secretaria de Juventude, ligada ao Estado. Daí fazer sentido, talvez, poder falar em democracia ao menos pela sensação democrática que a plataforma tem transmitido no que tange a questão da liberdade de expressão.

Nós não queremos só participar, queremos governar o Brasil, é o que diz o título de um dos debates presentes na página. Resta saber que formato essa nova rede terá ao decorrer do tempo, se será, de fato, abraçada pela juventude promovendo uma mobilização efetiva e, principalmente, se o governo responderá também de forma democrática e efetiva às reivindicações demandadas nela.

sábado, 31 de agosto de 2013

Seminário uniu movimento hip-hop e academia para falar da relação entre Ceilândia e o Plano Piloto

A discussão da relação entre a cidade satélite Ceilândia e o Plano Piloto, sob seu aspecto demográfico e sua produção cultural, com foco no movimento hip-hop local. Este foi o mote para o seminário Tonalidades e sonoridades da segregação socioespacial no Brasil, ocorrido no dia 17 de agosto, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), no campus da UnB/Campus Ceilândia (DF).

Organizado pelo CAU UNILA (Centro Acadêmico Universitário) em parceria com o programa Pós-Afirmativas da UnB, visou aprofundar o debate sobre a questão das periferias enquanto conceito sócio-geográfico: ou de exclusão espacial e social compreendidos como fenômenos indiscerníveis.

Alguns dos aspectos abordados no seminário foram: a abordagem tradicional feita sobre a periferia; a construção simbólica estereotipada do morador destas regiões – o padrão negativo que é estabelecido; incentivar a discussão sobre a composição étnica destes bairros, demonstrando que a formação de bairros pobres ou paupérrimos de moradores majoritariamente negros e pardos tem suas raízes na historicidade brasileira construída sobre 400 anos de escravidão.

Entre os palestrantes, acadêmicos e profissionais do movimento hip hop, em especial do entorno de Brasília/DF. Entre eles, Breitner Tavares, doutor em Sociologia pela UnB; Andressa Marques, mestre em literatura pela UnB; GOG (Genival Oliveira Gonçalves, foto), rapper e escritor brasileiro; Ana Elisa C. Blackman, mestre em Ciências Sociais UFSCar e pesquisadora no IPEA; e Andréia Moassab, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, coordenadora do CAU UNILA.

Após a exibição do filme “Rap o canto da Ceilândia”, fez-se uma roda de conversa com Adirley Queirós, cineasta e diretor do filme e Marcos Vinícius Moraes (Japão), rapper da Ceilândia. O filme é um diálogo com artistas do Rap nacional (X, Jamaika, Marquim e Japão), todos moradores da Ceilândia, e mostra a trajetória deles no universo da música, em paralelo com a construção da cidade.

Na ocasião, foi feito o lançamento do livro “Brasil Periferia(s): a comunicação insurgente do hip-hop” (Educ/Fapesp, 2011), de Andréia Moassab.


Jovens negros beneficiados em plano de combate à violência

Foto: Roberto Castro/GDF - 20/08/2013
"Juventude Viva" abrangerá DF e também municípios da Região Metropolitana com altos índices de violência, como Luziânia e Águas Lindas de Goiás
BRASÍLIA (20/8/13)- O "Juventude Viva", programa nacional de prevenção à violência contra jovens negros, chegará ao Distrito Federal e municípios da Região Metropolitana no início do próximo mês, conforme ficou definido hoje em reunião entre o GDF e representantes do governo federal.

"Temos todas as condições de servir como modelo de aplicação (desse programa)", destacou o governador Agnelo Queiroz durante o encontro realizado no Palácio do Planalto, com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Carvalho explicou ao chefe do Executivo local que a ideia central do programa é "conjugar políticas de prevenção e oportunidade para o jovem de forma que ele não vire nem vítima nem autor de violência".

Segundo o "Mapa da Violência 2012", com base em dados de 2010 do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), o Distrito Federal ocupa o quinto lugar entre as unidades da Federação com as maiores taxas de morte entre jovens negros (103,8 para cada grupo de 100 mil habitantes).

O DF será a terceira unidade da Federação a implantar o programa, depois de Alagoas e Paraíba, mas terá como diferencial a integração com municípios do entorno (Águas Lindas de Goiás, Formosa, Luziânia, Novo Gama e Valparaíso), que têm números de violência ainda mais alarmantes.

AVANÇO- O acordo com as prefeituras dessas cidades foi fechado no início deste mês e agora será firmado também com o governo estadual, a previsão é lançar oficialmente o "Juventude Viva" no DF e Região Metropolitana na primeira semana de setembro.

"Há um avanço técnico grande para implantação do plano no DF. Essa conversa (de hoje) dá o arremate da decisão política que era necessária para ele avançar", avaliou o coordenador de Juventude, da Secretaria de Governo, Carlos Odas, sobre o apoio demonstrado pelo governador ao projeto.

"O governador percebeu que há compromisso de várias secretarias do GDF e deu carta branca para tocarmos esse projeto do governo federal para combater a mortalidade do jovem negro", acrescentou o secretário de Igualdade Racial do DF, Viridiano Custódio.

Também participaram da reunião sobre o programa "Juventude Viva" o secretário de Governo, Gustavo Ponce, e representantes da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Governo Federal.

II Conferência Distrital de Igualdade Racial em Brasília


1ª Conferência Livre do Meio Ambiente do Povo Negro, dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Indígenas e Catadores da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

No último dia 17 de agosto, Belo Horizonte sediou a 1ª Conferência Livre do Meio Ambiente do Povo Negro, dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Indígenas e Catadores da Região Metropolitana da capital mineira.

O evento reuniu diversos representantes desses movimentos na Comunidade Tradicional de Terreiro Cabana Caboclo Boiadeiro Laço de Sangue.

Os debates da Conferência Nacional do Meio Ambiente foram desenvolvidos a partir de pautas específicas de cada um.

No vídeo, http://bit.ly/18Cleal, é possível perceber o grau de comprometimento das discussões com as especificidades inerentes dos povos tradicionais de matrizes africana, indígenas e de catadores da região metropolitana de Belo Horizonte.

Formação Cidadã e Agroecológica para Juventude Rural

Abertura da parceria UNILAB e SNJ para formação cidadã e agroecológica para 
a juventude rural.  O programa vai envolver 15 municípios, 300 jovens do 
Semi-Árido. Aos poucos avançando no reconhecimento e promoção dos 
direitos dos jovens da agricultura familiar e camponesa.
Foto: Juliana Kitanji/articuladora regional SP Plano Juventude Viva
Em Planaltina (DF), cerca de 300 jovens se reuniram para participar da segunda etapa do Curso de Formação Agroecológica e Cidadã para a Geração de Renda da Juventude Rural do Centro-Oeste. Dois são os objetivos principais desta iniciativa: formar dos jovens para que iniciem um projeto de inclusão produtiva geradora de renda para eles e seus familiares;  e o fortalecimento do vínculo com o meio rural, mostrando que é possível a manutenção da juventude no campo. A ação faz parte de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e Universidade de Brasília (UnB).

Na abertura oficial do curso a secretária nacional de juventude, Severine Macedo, expressou o desejo de que essa experiência se transforme em políticas públicas e possa agregar a outras ações já existentes para a formação e capacitação da juventude rural. “Temos hoje, 8 milhões de jovens no espaço rural e queremos que o jovem saia de lá somente se for o seu desejo, e não pela falta de condições e qualidade de vida. Queremos colocar a agenda da juventude rural com mais força na agenda nacional de políticas públicas para a juventude brasileira”, compartilhou a secretária.

Para a jovem Maria Helena, 25 anos, da comunidade quilombola Kalunga, o curso reafirma aos jovens a necessidade de políticas públicas para o segmento. “Para termos melhoria de vida não precisamos sair das nossas comunidades, basta que as políticas públicas cheguem até nós. Existem problemas gritantes, como a falta de infraestrutura, educação e renda, o que acaba nos tirando de lá, da nossa raiz, da nossa cultura, da nossa identidade. A partir do momento que saímos dos nossos espaços, acabamos cortando as nossas raízes. Queremos e precisamos do fortalecimento dos programas de saúde e educação. Precisamos também de assistência técnica, apoio às rádios comunitárias locais, saneamento básico e apoio ao esporte”, disse a jovem quilombola.

A professora Mônica Molina, coordenadora do Curso, acredita que para se construir a Política Nacional de Juventude Rural tem que se trabalhar pensando na formação agroecológica desse segmento. “Para que esses jovens permaneçam no campo não basta apenas a formação, mas o acesso a mecanismos e informações capazes de gerar renda de forma sustentável. É importante que os jovens tenham acesso a novas tecnologias. É importante  criar espaços  para que os jovens do campo tenham não apenas acesso à cultura, mas  onde possam ser produtores de cultura”, afirma a coordenadora do curso.