segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Violência e drogas são temas de debate na 1ª CRDSS do Nordeste

Flaviano Quaresma

Em sessão temática, a violência e as drogas foram debatidas durante 1ª Conferência Regional de Determinantes Sociais de Saúde do Nordeste, no Recife. Um balanço das políticas públicas e das estratégias visando enfrentar os problemas associados ao uso de drogas e ao padrão sistemático da violência no Brasil, e principalmente no Nordeste, pautou as atividades, coordenadas por Deborah Malta, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) e com as presenças de Ângela Guimarães, da Secretaria Nacional da Juventude do Ministério da Saúde, Preto Zezé, da Central Única das Favelas (Cufa/Ceará), e Cecília Minayo, coordenadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência Jorge Carelli (Claves/ENSP/Fiocruz).

A coordenadora da mesa, Deborah Malta, destacou a importância de sistemas de informação para vigiar e melhorar a compreensão dos desdobramentos atuais deste padrão estrutural de violência no Nordeste brasileiro. Referiu-se principalmente à necessidade da vigilância viva para obter dados sobre eventos de violência, vítimas e agressores e ressaltou uma nova portaria do Ministério de Saúde universalizando a notificação obrigatória de eventos de violência.

A coordenadora do Claves/ENSP, Cecilia Minayo, alertou, com base num estudo de caso analisando quatro casos de municípios na Argentina e no Brasil em relação a suas taxas de homicídio, que taxas elevadas de homicídio podem estar associadas tanto à ausência como à consequência de ações do Estado.
 
As considerações dos debatedores e as intervenções do público sobre a temática das drogas se concentraram nomeadamente na questão do crack e nas drogas lícitas, pois, segundo eles, o consumo continua sendo estimulado de forma sistemática. No debate, destacou-se que, dada a complexidade do fenômeno e a heterogeneidade dos usuários, não pode existir uma receita única para enfrentar os desafios impostos pelo crack.

O foco dos debates sobre a violência constituiu o homicídio e, mais especificamente, os determinantes sociais e processos de determinação social dos homicídios na região do Nordeste, principalmente abordando e denunciando a violência contra a juventude negra nas periferias urbanas. Com base nos diagnósticos da situação atual e das experiências nos âmbitos políticos, científicos e sociais, apontaram-se ainda possíveis estratégias para reverter o alarmante quadro de violência e uso de drogas no Brasil.

*Flaviano Quaresma é jornalista da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Pesquisa propõe certificação de sites de saúde

Alô pessoal, marque em sua agenda o próximo dia 12, quinta-feira, às 14h, no salão internacional no 4º andar da ENSP. Será a apresentação dos resultados de cinco anos de estudos, da escola, sobre as transformações que o acesso à internet pode causar na relação médico-paciente. O responsável pela empreitada é André Pereira, coordenador do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (Laiss), do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP).

André Pereira mostrará os resultados da avaliação sobre a qualidade das informações disponíveis em 18 sites sobre dengue, além de indicativos de outras pesquisas, como a de tuberculose, que tem informações disponíveis na web. O encontro também proporá a elaboração do Selo Fiocruz, para atestar a qualidade de informação em sites de saúde.

A análise contou com a participação de 20 moradores das comunidades de Manguinhos e de 10 médicos de diferentes unidades da Fiocruz. Para tanto, foram criados 5 critérios com mais de 50 indicadores. Segundo André, a preocupação nasceu da dúvida. "Quem escreveu aquilo? Quem disse que aquela informação é de qualidade? Quem disse que a informação postada é atual e cientificamente correta?", indagou ele. 

Foram avaliados sites de iniciativa pública e privada. Entre eles, estão os do Ministério da Saúde, Wikipédia, G1 e Dráuzio Varella. De acordo com André Pereira, no geral, nenhum deles alcançou 70% de resultados positivos em relação aos critérios de abrangência, técnica, interatividade, legibilidade e acurácia. Do ponto de vista institucional, André ressaltou que desconhece qualquer pesquisa brasileira sobre o tema. 

Sites sobre tuberculose serão o próximo foco da avaliação sobre a qualidade das informações em saúde. Para tanto, André Pereira já se articulou com pesquisadores do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP).

domingo, 8 de setembro de 2013

Violência e racismo em debate nas rodas de conversa dos 59 anos da ENSP

Durante a semana de 3 a 6 de setembro, quando se comemorou os 59 anos da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz, foram promovidos diálogos sobre o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS) e movimentos sociais. O evento, aberto ao público, contou com ações diversificadas de saúde realizadas na tenda, montada no pátio de entrada da ENSP, onde também ocorreram duas rodas de conversa: sobre serviço civil obrigatório na saúde e violência e racismo.

A abordagem de questões como o racismo e a violência no campo da saúde foi antecedida de palestras que divisavam a disputa de vários campos ideológicos, como a de classes que é refletida nos serviços de saúde.

Armando de Negri, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital do Coração, colocou que "há uma disputa no campo da hegemonia política, uma permanente negociação. No caso da saúde, não são todas as classes usando os mesmos serviços de saúde.”

Para ele, o grande desafio brasileiro é a desigualdade. A aproximação da realidade dos territórios sociais para fins da gestão da saúde, no caso da gestão das políticas públicas, a instituição Estado é fragmentada e setorialmente fraca para enfrentar os desafios, apresenta baixo desempenho na garantia de direitos e redistribuição de riquezas, visão distorcida do "território", sistemas de participação social fragmentados, além das políticas públicas terem pouco impacto sobre os determinantes da saúde. A estratégia de promoção da equidade em qualidade de vida e saúde tem poder político no sentido de responder às necessidades das forças sociais. “A estratégia desnaturaliza a escassez, desnudando a contradição entre o necessário e disponível em termos de garantia de direitos humanos e cidadãos”, concluiu.

Carlos Brandão, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural - conceito de território social como produção do espaço social. “O capital do território é o conflito. Quem é conservador pensa o território como localização. Discutir território ou espaço tem relação com hegemonias e hierarquias”. Para ele, no “território”, há três grandes campos de disputas: o poder privado, a falta de entendimento sobre o que é o Estado, o poder das forças contra-hegemônicas de reagir às cadeias de poder; por isso a importância de estudar sobre as classes sociais. 
 
Entretanto, nos debates promovidos nas rodas de conversa observou-se que para além das análises sobre as classes sociais, verificou-se a necessidade de se aprofundar os estudos sobre diferentes recortes, como o étnico-racial.

Nas rodas de conversa, atividade proposta pelo Fórum de Articulação com os Movimentos Sociais e coordenada pelo Fórum de Estudantes da Escola, reuniu dezenas de pessoas que formaram um grande círculo na Tenda da Saúde. Entre os temas debatidos, estavam serviço civil obrigatório na saúde, Programa Mais Médicos, formação em saúde, racismo, violência, desafios do SUS, interiorização da medicina, entre outros.

Número de vítimas jovens negras aumenta 24%
Carla Moura Lima, doutoranda da Fiocruz - Dados sobre a violência contra a população de jovens negros, divulgados pelo livro Mapa da violência 2013 - Homicídios e juventude no Brasil, de Julio Jacobo Waiselfisz, mostram o aumento de 24,1% de vítimas negras entre jovens cresceu de 11.321 (2002) para 13.405 (2011).

Fransérgio Goulart de Oliveira Silva, historiador que atua com projetos voltados para jovens moradores de favelas do Rio de Janeiro: O Mapa da violência esclarece que o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde iniciou a divulgação de seus dados em 1979, mas só em 1996 começou a oferecer informações referentes à raça/cor das vítimas, apesar dos elevados níveis de subnotificação.

- De 2001 a 2011, morreram, vítimas de assassinatos, 203.225 jovens. Nos anos extremos, os números são muito semelhantes: pouco mais de 18 mil assassinatos. A população jovem está entre os 15 e 24 anos de idade. Nos estados e regiões que apresentam fortes quedas, como as de São Paulo e Rio de Janeiro, os números diminuem 76,2% e 44,0%, respectivamente. No Rio Grande do Norte, por exemplo, mais que quadruplica o número de vítimas juvenis. No período analisado, as estatísticas chegam a duplicar no Pará, Bahia e Maranhão.  

- Fransérgio defendeu o rompimento com ideologias como “somos um país pacífico”, porque, na discussão sobre violência e racismo, não cabe esse pensamento, e de que o discurso do pacífico serve para neutralizar a luta de classes.

Eduardo Stotz, pesquisador do Departamento de Endemias Samuel Pessoa e coordenador do Fórum de Movimentos Sociais da ENSP: É essencial aprofundar a relação institucional com os movimentos sociais, que expressam as contradições da sociedade. “Saúde é luta e organização. Temos a obrigação de levantar essas questões como o racismo. O enfrentamento não deve ser só curricular, mas no campo das políticas de saúde.”

Tatiana Wargas, vice-diretora de Pós-graduação da Escola: Considera uma contradição a entrada das Unidades de Polícia Pacificadora em territórios de favela, uma vez que o tráfico de drogas também afeta os espaços além das favelas. Ela disse ser importante a inclusão desses temas em programas de pesquisa.

Na roda: 
- Formação: Falta da história e cultura brasileira na formação em saúde atualmente. A preocupação com a formação de diferentes etnias e culturas existentes em nosso país também foi considerada.

- Mercantilização da medicina atribuída ao modo de produção na formação médica.

- O reclame do Programa Mais Médicos é legítimo, mas não devemos particularizar o problema. Refletir e comparar o SUS de hoje e o de amanhã. O Mais Médicos não ocupa o lugar do médico brasileiro, e sim o lugar ao qual ele não quer ir. Precisamos resgatar a história de lutas e fortalecer o SUS com novas ideias e propostas.

- Corporativismo da categoria médica,

- O atual contexto político e a janela de oportunidades aberta com as manifestações populares de 2013, além da política de valorização da carreira pública em saúde e o papel dos meios de comunicação na pauta nesse setor. 

Encaminhamentos:
- Agenda permanente de debates com a dinâmica participativa,

- Construção de uma nota de repúdio ao racismo e a xenofobia sofrida pelos médicos cubanos em sua chegada ao Brasil,

- Carta sobre o Programa Mais Médicos relacionada ao contexto político atual.

Informe ENSP/Fiocruz

sábado, 7 de setembro de 2013

"É impossível o Brasil ser democrático sem superar o racismo" Zulu Araújo

Entrevista do ex-presidente da Fundação Cultural Palmares ilustra bem o quanto é difícil a luta contra o racismo no Brasil.

Ele despertou para a importância da luta contra o racismo ao ouvir uma frase do pai, semianalfabeto: “Preto só é gente se estudar”. Mesmo tendo sido sempre o melhor aluno por onde passou, o baiano Zulu Araújo não conseguiu escapar da discriminação racial. Logo percebeu que para que a situação do negro pudesse mudar, o País teria também que se transformar. Formado em Arquitetura, decidiu fazer do combate ao racismo o seu principal objetivo de vida. Hoje é presidente da Fundação Palmares, entidade governamental que trabalha para incluir o negro de fato na sociedade brasileira. Zulu comemora os avanços das políticas afirmativas, principalmente das polêmicas cotas raciais, que, em sete anos, colocaram mais negros em universidades públicas do que em toda a história do Brasil. Mas sabe que o trabalho é árduo, pois, como diz, “nenhuma elite do mundo, branca ou preta, quer perder privilégios”. Diante da urgência em corrigir distorções históricas, conclui: “A sociedade precisa entender que a inclusão dos negros é boa para todos”.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Duas faltas: Sergio Arouca e Careli - Asfoc entrega prêmios pela luta por direitos humanos, saúde e cidadania

Vinte anos depois do desaparecimento do servidor da Fundação Oswaldo Cruz Jorge Careli (10/08/1993), o Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN) homenageará com a Medalha Careli de Direitos Humanos  a Comissão de Direitos Humanos e Assistência Jurídica da OAB do Rio de Janeiro e a Associação de Moradores da Vila Autódromo.

Desde 2001, a Asfoc-SN concede a medalha para pessoas ou entidades que se destacam na luta contra a violência e na defesa dos direitos humanos. Na cerimônia, que será realizada em 12 de setembro (quinta-feira), a partir das 16h, no Estação Asfoc, na Fiocruz, em Manguinhos, o Sindicato repudia a violência do Estado contra os movimentos sociais e populares e cobra das autoridades competentes a responsabilidade nas práticas autoritárias, arbitrárias e abusivas, como, por exemplo, no caso Amarildo, o ajudante de pedreiro desaparecido desde julho, na Rocinha.

Na mesma ocasião, o Sindicato entregará ainda o Prêmio Especial Sergio Arouca de Saúde e Cidadania para a VídeoSaúde Distribuidora da Fiocruz (Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnolocia em Saúde/Icict); ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental/Laps (Escola Nacional de Saúde Pública/Ensp/Fiocruz); ao chefe do departamento de cirurgia pediátrica do Instituto Fernandes Figueira/IFF, Paulo Roberto Boechat; e ao ex-presidente do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps) Hesio de Albuquerque Cordeiro.

Por manterem viva a memória e a obra do sanitarista, que faleceu há 10 anos (02/08/2003), o prêmio é concedido pelo Sindicato, desde 2004, a uma personalidade ou entidade de destaque na luta por saúde e cidadania para a população.

Memória do Caso Careli: No último 10 de agosto, completaram 20 anos do desaparecimento do companheiro Jorge Careli. Em 1993, o servidor da Fiocruz foi confundido com um sequestrador e levado por policiais da Divisão Anti-Sequestro (DAS) quando falava de um telefone público na Favela da Varginha, em Manguinhos. Careli nunca mais foi visto.

Desde então, a Asfoc e os trabalhadores da Fiocruz se mobilizaram cobrando das autoridades a responsabilidade pelo desaparecimento do servidor da Fundação. A Justiça condenou o Estado do Rio de Janeiro a pagar uma indenização à família de Careli e, depois de quase duas décadas do desaparecimento, declarou, finalmente, a morte presumida do servidor em 2012.

Equivalente à certidão de óbito, o Sindicato entregou em março deste ano o documento à mãe de Jorge, dona Maria, em cerimônia pública com amigos e familiares de Careli, diretores e ex-dirigentes do Sindicato.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Penitenciárias privadas batem recorde de lucro com política do encarceramento em massa

De: http://operamundi.uol.com.br

"A nossa companhia foi fundada no princípio que poderíamos, sim, vender prisões. Da mesma forma como se vendem carros, imóveis ou hambúrgueres".  Simples e objetivo, um dos fundadores da CCA (Corrections Corporation of América), responsável pela privatização de dezenas de penitenciárias nos EUA, define sua área de atuação.

Desde a inauguração em 1983, a empresa passou a fazer parte do seleto grupo das multibilionárias dos EUA com um "produto" no mínimo controverso: prender pessoas. A lógica de mercado é simples: quanto mais presos os centros penitenciários abrigam, mais verbas federais são repassadas para a CCA e outras prisões, aumentando gradativamente os lucros. Segundo o instituto Pew Charitable Trusts, o setor registra recordes consecutivos de lucro no decorrer dos últimos anos e é o segundo mais rentável aos investidores do país.

O maior complexo penitenciário da CCA em Lumpkin, Geórgia, por exemplo, recebe 200 dólares por cada preso todos os dias, rendendo um lucro anual de 50 milhões de dólares. Além disso, a empresa potencializa os vencimentos cobrando cinco dólares pelo minuto das ligações telefônicas - provavelmente a taxa por minuto mais cara do planeta. Os presos que trabalham no local - não importa quantas horas - recebem um dólar pelo dia trabalhado.

“Prender pessoas virou um negócio absolutamente lucrativo para iniciativa privada em especial para os lobistas que vão até Washington para garantir que as leis e a legislação do país funcionem para garantir que os pobres continuem sendo enviados ao cárcere”, afirma o cientista político Chris Kirkham ao portal Huffington Post.

Com a implantação da dinâmica de mercado às prisões, a população carcerária dos EUA teve um crescimento de mais de 500% - valor que representa 2,2 milhões de pessoas nas prisões norte-americanas. Os EUA, aliás, abrigam 25% da população carcerária do mundo.

Eis uma questão ...


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Movimentos sociais debatem o Programa Mais Médicos em Brasília

Foto: José Cruz/ABr
29/08 - “É importante que essa informação chegue às pessoas e que elas possam se posicionar. nós fazemos um apelo para que as pessoas, à medida que elas conheçam o programa, o defendam”, afirmou o ministro Gilberto Carvalho, na quarta-feira (28/8) durante o Diálogos Governo-Sociedade Civil sobre o Programa Mais Médicos, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

O evento, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, reuniu cerca de 50 representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade. Carvalho disse ainda que a forma com que os médicos cubanos foram recebidos pelos profissionais brasileiros pode ter uma de carga de preconceito. “Eles vêm ajudar quem os médicos brasileiros se recusaram a ajudar”, disse ainda o ministro que condenou as “declarações infelizes, gestos alguns legítimos de protestos, outros que causam espécie porque carregados de preconceito, xenofobia, corporativismo exacerbado, além do racismo”.

Fernando Menezes, secretário-adjunto da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, fez uma apresentação sobre a situação da saúde no Brasil e o Programa Mais Médicos. De acordo com Menezes, o Programa faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê investimento em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou não existem profissionais. “Hoje, o Brasil possui 1,8 médicos por mil habitantes. Esse índice é menor do que em outros países, como a Argentina (3,2), Uruguai (3,7), Portugal (3,9) e Espanha (4). Além da carência dos profissionais, o Brasil sofre com uma distribuição desigual de médicos nas regiões - 22 estados possuem número de médicos abaixo da média nacional”, informou.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Participatório: plataforma virtual é um interessante espaço de debates e reivindicações da juventude

Em tempos de uso das novas mídias difundidas na internet para o fortalecimento e divulgação de vozes e ideias múltiplas que ecoam para além das barreiras sociais e políticas, a Secretaria Nacional da Juventude investe no Participatório - Observatório Participativo da Juventude. O site estimula o debate e a participação voltados aos jovens brasileiros, nos moldes de redes sociais.

Mensalmente, são desenvolvidas discussões, como o debate envolvendo o Programa Juventude Viva, aberto a todos e todas no http://participatorio.juventude.gov.br, a ser encerrado dia 9 de setembro. Depois, outro tema ficará na roda de conversas.

Sobre a Plataforma
O portal interativo é um site de debates e reivindicações da juventude a respeito das políticas públicas para o segmento. O ambiente virtual pretende ainda estimular a participação do jovem em mobilizações, além de produzir conhecimentos e divulgar conteúdos relacionados às políticas juvenis em geral.

Três grandes núcleos contemplam a plataforma: Estudos e Pesquisas, que reúne publicações, acervo e articulação do conhecimento sobre a temática juvenil; Comunicação e Mobilização, responsável pela divulgação de conteúdos nas redes sociais e pelas ações de mobilização presencial; e o terceiro núcleo é o de Desenvolvimento Digital que tem a tarefa de desenvolver as atividades do site.

Todo esse conjunto de ferramentas visa potencializar o diálogo com os jovens, as universidades, instituições de pesquisa, movimentos sociais e culturais da juventude, assim como a consolidação do diálogo com representações juvenis.

Para interagir na rede e inserir documentos é necessário realizar um registro na página. O usuário pode participar dos debates que estão acontecendo, integrar alguma comunidade já existente ou criar uma nova. O endereço da plataforma é www.participatorio.juventude.gov.br.

Democracia na rede: desafio ou realidade?
Um dos principais desafios que a plataforma pode enfrentar é o de manter o público-alvo em uma nova rede social. Os jovens internautas já estão cadastrados em mais páginas desse tipo do que conseguem efetivamente usar.  Contudo, mesmo tendo uma dinâmica integrada com as redes sociais e blogs, o site não pretende ser mais uma rede de relacionamento e sim de debates e troca de conhecimentos, como se intitula.

É importante ressalvar que não há nenhum conteúdo vinculado na rede sofreu algum tipo de censura, mesmo contendo postagens com críticas ao governo, apesar ser uma página criada pela Secretaria de Juventude, ligada ao Estado. Daí fazer sentido, talvez, poder falar em democracia ao menos pela sensação democrática que a plataforma tem transmitido no que tange a questão da liberdade de expressão.

Nós não queremos só participar, queremos governar o Brasil, é o que diz o título de um dos debates presentes na página. Resta saber que formato essa nova rede terá ao decorrer do tempo, se será, de fato, abraçada pela juventude promovendo uma mobilização efetiva e, principalmente, se o governo responderá também de forma democrática e efetiva às reivindicações demandadas nela.